Considerações sobre as relações córtico-subcorticais na fala e linguagem

Lucia Iracema Zanotto de Mendonça

Resumen


A participação dos núcleos da base e tálamo na linguagem foi efetivamente reconhecida há poucas décadas. As afasias subcorticais se caracterizam pelo caráter benigno e reversível dos sintomas, pela presença de hipofonia e de alterações da produção motora da fala e pela preservação da capacidade de repetição. A compreensão verbal é menos comprometida do que a expressão. Existem diferenças na apresentação da afasia entre os casos com lesão talâmica e aqueles com lesão extratalâmica. Os distúrbios fonológicos são mais comuns nas afasias não talâmicas e os semânticos, nas talâmicas. Os circuitos córtico-subcorticais motor e motivacional, além da via piramidal, estão envolvidos nos distúrbios da voz e da fala nas lesões subcorticais. Alterações do tipo apraxia da fala fazem parte do quadro clínico. A maioria dos autores é de opinião que o córtex é o centro neural da linguagem. Os sintomas afásicos observados nas lesões subcorticais seriam resultantes, na verdade, de disfunção funcional da atividade cortical, por desconexão, diásquise ou hipoperfusão. Outra corrente defende um papel mais específico das estruturas subcorticais na fala e linguagem, relacionados a segmentação fonológica, aspectos automáticos da fala, ativação cortical, integração sintático-semântica da informação e monitorização semântica. As lesões subcorticais parecem ser acompanhadas de déficits mais executivos da linguagem, o que aponta para a importância do circuito fronto-subcortical na produção dos sintomas afásicos, bem como para a interrelação com a atenção e memória operacional. A real participação dessas estruturas nos sistemas funcionais cognitivos ainda é controversa. Os sintomas decorrentes de suas lesões parecem ser oriundos da perturbação de múltiplos aspectos do processamento geral da linguagem na comunicação. O entendimento do papel das estruturas subcorticais na fala e na linguagem precisa considerar o processo de hierarquização do sistema nervoso em sua evolução.

Texto completo:

PDF


https://www.ebsco.com     http://www.redalyc.org     http://pepsic.bvsalud.org     https://doaj.org     http://www.latindex.org     http://www.psicodoc.org     https://scholar.google.com