Alterações neuropsicológicas tardias em crianças com tumores cerebrais de fossa posterior

Stephanie Witzel Esteves Alves, Rafaela Larsen Ribeiro

Resumen


O câncer infantil é hoje uma das principais causas de adoecimento na criança. O diagnóstico de um tumor cerebral de fossa posterior desencadeia uma série de tratamentos invasivos que alteram bruscamente o contexto biopsicossocial no qual a criança encontra-se adaptada. Neste contexto, os déficits cognitivos aparecem enquanto consequências diretas deste processo e refletem significativamente em baixo desempenho escolar e prejuízos intelectuais. Especificamente nos tumores cerebrais pediátricos, sabe-se pouco sobre qual são os comprometimento cognitivos específicos acarretados pelo crescimento tumoral e pelo tratamento oncológico. Dessa forma, o presente estudo buscou investigar através de uma revisão integrativa da literatura quais foram os avanços da produção científica acerca do impacto neuropsicológico, em especial os efeitos tardios do tratamento, evidenciados em crianças com tumores pediátricos de fossa posterior. Foram pesquisados artigos indexados nas bases de dados MEDLINE (PubMed); LILACS; SciELO (Scientific Electronic Library Online), Google Acadêmico e Biblioteca Cochrane. Foram encontrados 163 artigos e analisados através de seu título e resumo. Após preencherem os critérios de inclusão e exclusão, um total de 55 artigos foram lidos na íntegra e por fim um total de 22 artigos originais foram selecionados para interpretação, discussão e apresentação de dados. De forma geral, foi observado pouco consenso na literatura em relação a quais habilidades cognitivas específicas estão comprometidas, apesar de serem identificadas alterações intelectuais globais consistentes e indícios de alterações na substância branca cerebral, que classicamente está relacionada à velocidade de processamento. Além disso, encontra-se a descrição de fatores de risco importantes para o baixo desempenho intelectual, tais como: idade precoce no diagnóstico, sexo, tratamento radioterápico ou combinado com quimioterapia, complicações neurológicas pós-cirúrgicas e ataxia. Por fim, conclui-se que há a necessidade do delineamento de metodologias mais consensuais na literatura, através da realização de análises mais cuidadosas na inclusão dos pacientes nos estudos e principalmente considerando os fatores de risco indicados pela literatura. Sugere-se ainda a implantação de avaliações neuropsicológicas longitudinais com o intuito de identificar desde efeitos pré-operatórios do crescimento do tumor até efeitos tardios do tratamento oncológico, que parecem se estender mesmo após 10 anos do fim da estabilização clínica da criança. Dessa maneira, poderá ser possível obter dados suficientes para desenvolver estratégias de intervenções cognitivas específicas que possibilitem uma melhor adaptação acadêmica, escolar e de qualidade de vida infantil, tanto durante quanto após o tratamento oncológico.
Palavras-chave: fossa posterior, tumores pediátricos, SNC, criança, impacto cognitivo, neuropsicologia, radiação, quimioterapia, cirurgia.

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